Você já ouviu falar em Escutatória?

Você já ouviu falar em Escutatória?

Este termo vem de um texto de Rubens Alves e, depois que você entender, vai pensar: Por que não falamos de escutatória antes? Por que não falamos sobre isso todos os dias?

Neste artigo falaremos um pouco mais sobre,

escutatória significa escutar e entender o que está sendo dito sem julgar o que ouviu. O ouvinte deve se preocupar inclusive com a linguagem corporal a fim de demonstrar que está prestando atenção, deixando claro que a mensagem foi compreendida. 

Já parou pra pensar que aprendemos tanta coisa desde o primeiro dia de vida? A andar, a falar, fazer xixi sem fralda… Aí entramos na escola e temos aula para aprender a ler, escrever, fazer contas… e por aí vai. Mas ninguém nunca nos deu aula de como escutar. E deveríamos ter essa aula SIM, desde a educação infantil.

Afinal, é urgente a necessidade de aprender a escutar para compreender, e não somente para responder. 

Engana-se aqui quem pensa que escutamos somente sons. Podemos e devemos escutar com os nossos ouvidos. Mas é essencial ouvir com os olhos e com o coração também.

Trata-se de escuta empática sendo é a chave para uma efetiva comunicação. É o foco na aprendizagem de como a outra pessoa vê o mundo, como ela o sente. A essência da escuta empática não está em concordar com alguém; mas sim compreender aquela pessoa profundamente, tanto no plano emocional quanto no intelectual.  

A escuta empática pode ter um impacto significativo nas relações humanas e no bem-estar geral das pessoas. Listamos a seguir alguns destes benefícios: 

  • Melhora o relacionamento interpessoal: A escuta empática ajuda a estabelecer um relacionamento de confiança e compreensão entre as pessoas. Isso pode levar a relacionamentos mais satisfatórios e produtivos em muitos contextos, incluindo amizades, relacionamentos românticos, trabalho em equipe e atendimento ao cliente.
  • Reduz conflitos e tensões: Quando as pessoas se sentem ouvidas e compreendidas, elas são menos propensas a ficarem defensivas ou agressivas. Isso pode ajudar a reduzir conflitos e tensões em muitas situações, incluindo discussões familiares, negociações empresariais e disputas legais.
  • Aumenta a autoestima e autoconsciência: Quando alguém pratica a escuta empática, ela ajuda a outra pessoa a se sentir valorizada e compreendida. Isso pode aumentar a autoestima da pessoa que está sendo ouvida e ajudá-la a desenvolver uma maior autoconsciência e autoaceitação.
  • Melhora a solução de problemas: Quando alguém é capaz de ouvir e entender completamente o ponto de vista de outra pessoa, é mais provável que ela possa encontrar soluções criativas e eficazes para problemas. A escuta empática pode ajudar a identificar as necessidades, desejos e preocupações de outra pessoa e a encontrar uma solução que atenda a todos os envolvidos.
  • Fortalece a empatia e a compaixão: Ao praticar a escuta empática, as pessoas podem desenvolver uma maior empatia e compaixão pelos outros. Isso pode ajudar a criar um ambiente mais positivo e solidário em muitos contextos, incluindo trabalho, comunidade e família.

Você sabia que depois das necessidades básicas supridas, o ser humano precisa de sobrevivência psicológica? Então, se a sua empresa conta com bons benefícios para o funcionário como VR, VT, VA… ótimo. Já está ajudando com as necessidades básicas. Mas desenvolver a escuta ativa na empresa te leva para um próximo nível. Pode trazer para o time de trabalho segurança psicológica, ambiente de acolhimento. Aumenta o engajamento, a retenção, e a tão sonhada felicidade no trabalho. 

A boa notícia? Saber escutar é uma habilidade que pode ser aprendida.

Existe técnica para isso. E, como toda habilidade, a prática faz com que aconteça depois de forma orgânica, o que pode mudar significativamente a cultura da sua empresa. Quer saber como? Chama a Escola Catalise! Nossa missão é potencializar o capital humano da sua organização!  

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil…

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer…

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio, expulsando todas as ideias estranhas). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto. Ouçamos os clamores dos famintos e dos despossuídos de humanidade que teimamos a não ver nem ouvir. É tempo de renovar, se mais não fosse, a nós mesmos e assim nos tornarmos seres humanos melhores, para o bem de cada um de nós.

É chegado o momento, não temos mais o que esperar. Ouçamos o humano que habita em cada um de nós e clama pela nossa humanidade, pela nossa solidariedade, que teima em nos falar e nos fazer ver o outro que dá sentido e é a razão do nosso existir, sem o qual não somos e jamais seremos humanos na expressão da palavra.

Texto de Rubens Alves:  “A Escutatória”

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